TEMPO ROUBADO, VIDAS SILENCIADAS
O ENCARCERAMENTO FEMININO E A LÓGICA PATRIARCAL EM PERSPECTIVA TRANSNACIONAL
DOI:
https://doi.org/10.14295/revistadaesmesc.2026e509Palavras-chave:
Encarceramento feminino; gênero; patriarcado; direitos humanos; perspectiva transnacional.Resumo
Este artigo analisa o encarceramento feminino a partir de uma perspectiva crítica e transnacional, evidenciando como o sistema penal opera como instrumento de controle do tempo e da vida das mulheres sob a lógica patriarcal. Parte-se da compreensão do tempo feminino enquanto dimensão existencial, social e simbólica, historicamente marcada pela fragmentação entre funções de cuidado, formas de trabalho invisibilizado e expectativas morais. Sustenta-se que a prisão impõe às mulheres uma pena que ultrapassa a mera privação da liberdade física, promovendo a ruptura de vínculos afetivos, identitários e comunitários, além de uma estigmatização social duradoura. O estudo examina a invisibilidade histórica das mulheres nas teorias criminológicas tradicionais e a emergência da criminologia feminista como campo crítico de denúncia das discriminações de gênero no sistema penal. A análise incorpora uma abordagem comparativa e transnacional, demonstrando que o encarceramento feminino se vincula a dinâmicas globais de pobreza, migração, tráfico de drogas e políticas criminais punitivistas. Conclui-se que a superação dessas desigualdades exige uma perspectiva interseccional comprometida com os direitos humanos e a dignidade feminina.
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